Estudo da USP alerta para os riscos do cigarro eletrônico para dentes e gengivas
O uso de cigarros eletrônicos tem sido associado a sérios riscos para a saúde bucal, podendo aumentar o risco de cáries e alterar a superfície dos dentes. Um estudo realizado pela Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP, publicado no periódico científico Archives of Oral Biology, reforça esses dados, destacando que os impactos negativos do uso de vapes podem ser tão graves, ou maiores, que os dos cigarros convencionais. A pesquisa aponta que a composição química dos líquidos vaporizados, ao entrar em contato com a cavidade bucal, interfere na proteção natural dos dentes, tornando-os mais vulneráveis ao desgaste e ao aparecimento de doenças.
A dentista Anna Karolina Ximenes, da IGM Odontologia para Família, alerta sobre os riscos do uso de vapes, explicando que os compostos presentes nos líquidos de vaporização podem causar sérios danos à saúde bucal. “O uso de cigarros eletrônicos pode alterar a superfície dos dentes e favorecer o aparecimento de cáries. Além disso, esses produtos comprometem a composição salivar, protetor natural dos dentes, tornando-a escassa, permitindo que bactérias se desenvolvam com maior facilidade ou mesmo acelerando outros danos, como a erosão dentária.”
A especialista complementa que os vapes contêm líquidos com nicotina, incluindo sais de nicotina e nicotina sintética. “Esses compostos afetam o equilíbrio do ambiente bucal, interferindo não só nos dentes, mas também nas gengivas e outros tecidos da boca. Com o tempo, isso pode ocasionar doenças periodontais, inflamações e problemas mais graves que exigem tratamento especializado.” Segundo Ximenes, os riscos não se limitam aos efeitos imediatos, pois o uso contínuo pode levar ao desenvolvimento de condições mais sérias, comprometendo a saúde bucal de maneira irreversível.
Embora a comercialização, importação e propaganda de vapes sejam proibidas no Brasil desde 2009 pela Anvisa, a dentista destaca a importância de as pessoas estarem informadas sobre os riscos desses dispositivos. “É crucial que os usuários saibam dos danos potenciais à saúde para tomarem decisões conscientes e prevenirem complicações a longo prazo. A conscientização é o primeiro passo para evitar consequências mais sérias no futuro.”